MBRF Pet Começa a Exportar para os EUA em Busca de Crescimento

A MBRF Pet, braço de nutrição animal do grupo MBRF, deu o primeiro passo para conquistar o mercado mais valioso do planeta para ração de cães e gatos: os Estados Unidos. A companhia começou a exportar alimentos úmidos para o país, que sozinho responde por mais de 40% do faturamento global do setor de pet food. O movimento marca uma virada na estratégia de internacionalização da empresa, que já vende para 20 países mas ainda não tinha presença no território norte-americano.

No Brasil, a MBRF Pet comercializa pouco mais de 3 bilhões de porções anuais para alimentar cães e gatos. Esse volume a coloca entre as líderes do terceiro maior mercado do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. Agora, a aposta é usar a exportação como alavanca de crescimento enquanto o mercado doméstico amadurece.

Por Que o Mercado Norte-Americano Importa Tanto

Os Estados Unidos concentram o maior poder de compra global quando o assunto é nutrição para animais de estimação. Famílias norte-americanas gastam bilhões de dólares por ano em produtos premium, orgânicos e especializados para seus pets. O mercado valoriza inovação, qualidade e diferenciação — exatamente o perfil dos alimentos úmidos que a MBRF Pet começou a exportar.

Alimentos úmidos carregam margem maior que rações secas tradicionais. São sachês, patês e latas com formulações específicas, muitas vezes vendidos como complemento ou tratamento especial. Para uma empresa que busca agregar valor, entrar nos EUA com essa categoria faz sentido estratégico: permite testar o mercado, construir marca e aprender as preferências locais antes de escalar para volumes maiores com rações secas.

Stanley Andrade, diretor da MBRF Pet, resumiu o movimento: ‘A entrada nos Estados Unidos representa um marco na estratégia de internacionalização da companhia’. O executivo deixou claro que o plano é gradual. Nada de acelerar demais logo de cara. Primeiro, conquistar espaço nas prateleiras com alimentos úmidos. Depois, quando a marca estiver estabelecida, ampliar para rações secas produzidas na unidade do Paraguai.

Duas Fábricas Já Habilitadas para Exportar

A MBRF Pet preparou o terreno antes de começar a exportar. Duas de suas cinco unidades produtivas receberam habilitação para vender aos Estados Unidos: uma em Bastos, no interior de São Paulo, e outra em Doctor Juan León Mallorquín, no Paraguai, cidade próxima de Foz do Iguaçu. Essas plantas atendem os rigorosos padrões sanitários e de rastreabilidade exigidos pelas autoridades norte-americanas.

Ter produção habilitada no Paraguai traz vantagem adicional. O país oferece custos operacionais menores e acordos comerciais que facilitam exportação. A estratégia da MBRF é usar essa base para escalar volumes de rações secas no futuro, enquanto a fábrica brasileira foca em produtos de maior valor agregado.

Vale notar que a companhia não está começando do zero na exportação. As vendas externas da MBRF Pet cresceram 18% neste ano, impulsionadas por mercados como Chile, Paraguai e Uruguai — os três principais destinos fora do Brasil. A empresa vende atualmente para 20 países, ante 15 há dois anos. A meta é chegar a 26 destinos até o final de 2027.

Mercado Brasileiro Cresce, Mas Exportação Acelera Mais

O Brasil é um mercado robusto para pet food. Segundo projeção da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o segmento deve faturar R$ 42,96 bilhões em 2026. Já as exportações do setor somaram R$ 3,3 bilhões em 2025, alta de 12% sobre o ano anterior. A MBRF Pet não detalha seus números financeiros separadamente, mas o executivo revelou que vendas fora do Brasil (incluindo exportações e operações locais) já representam quase 20% do faturamento total da divisão.

Esse percentual tende a subir. O mercado doméstico brasileiro está maduro em categorias tradicionais, com competição acirrada e margens pressionadas. Crescer no exterior, especialmente em mercados que pagam mais por qualidade, permite diversificar receita e capturar valor que não existe mais no Brasil.

A estratégia de internacionalização ganhou força depois que a MBRF desistiu de vender a divisão de pet food. A companhia chegou a avaliar a alienação do negócio no passado — a unidade surgiu de aquisições feitas há vários anos e não era considerada core business. Mas o processo foi encerrado em 2023. Agora, o foco é crescimento orgânico. Não há planos de novas aquisições no curto prazo.

Sinergia com Produção de Carnes Reduz Custos

A MBRF Pet aproveita uma vantagem competitiva importante: integração com a cadeia de proteínas do grupo MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo. A produção de ração para pets usa subprodutos da indústria de carnes — farinha de frango, farinha de suínos, gorduras animais — como ingredientes de alto valor nutricional.

Essa sinergia reduz custos de matéria-prima e garante fornecimento estável. Enquanto concorrentes precisam comprar esses insumos no mercado, a MBRF Pet acessa internamente, com rastreabilidade completa e preço competitivo. O modelo funciona especialmente bem em momentos de volatilidade nos preços de grãos e proteínas.

Para o grupo MBRF, a divisão de pet food também agrega valor a subprodutos que antes tinham destinação menos nobre. Transforma resíduo em receita, fecha o ciclo produtivo e melhora a rentabilidade consolidada.

Estratégia Gradual nos EUA: Marca Antes de Volume

A abordagem da MBRF Pet no mercado norte-americano é cautelosa. Stanley Andrade foi direto: ‘Neste mercado, não tem objetivo inicial de acelerar demais. A gente tem que criar marca, tem que estar nas prateleiras’. Primeiro, ganhar presença com alimentos úmidos. Depois, quando o consumidor conhecer e confiar na marca, ampliar para rações secas produzidas no Paraguai.

Essa estratégia faz sentido. O mercado dos EUA é sofisticado e competitivo. Marcas consolidadas dominam as prateleiras, e consumidores valorizam reputação. Entrar com volume grande sem ter marca estabelecida é receita para queimar caixa. Melhor construir devagar, aprender o que funciona, ajustar produto e comunicação, depois escalar.

O executivo não estabeleceu meta numérica de vendas nos EUA. O objetivo declarado é outro: ‘Temos plano de chegar à liderança pela internacionalização e agregação de valor’. Traduzindo: crescer fora do Brasil, focar em produtos de margem alta, conquistar mercados que pagam por qualidade.

Próximos Passos e Desafios pela Frente

A MBRF Pet tem caminho claro desenhado para os próximos dois anos. Ampliar de 20 para 26 mercados de exportação até o final de 2027. Consolidar presença nos EUA com alimentos úmidos. Preparar lançamento de rações secas no mercado norte-americano. Manter crescimento de dois dígitos nas vendas externas.

Os desafios não são pequenos. Competir nos EUA exige investimento pesado em marketing, distribuição e conformidade regulatória. O dólar valorizado ajuda a rentabilidade da exportação, mas também pressiona custos de insumos importados. A logística para mercados distantes adiciona complexidade operacional.

Ainda assim, a aposta parece sólida. O mercado global de pet food cresce consistentemente, impulsionado por humanização dos animais de estimação e aumento de renda em países emergentes. Empresas que conseguem agregar valor e construir marca têm espaço para crescer mesmo em setores maduros. A MBRF Pet está testando essa tese no mercado mais exigente do planeta.

FAQ

A MBRF Pet já exportava antes de começar a vender para os EUA?

Sim. A empresa já vendia para 20 países antes de iniciar exportações para os Estados Unidos. Os principais mercados externos são Chile, Paraguai e Uruguai. As vendas fora do Brasil cresceram 18% neste ano e representam quase 20% do faturamento total da divisão de pet food.

Por que a MBRF Pet começou exportando alimentos úmidos e não rações secas?

Alimentos úmidos têm margem maior e permitem testar o mercado norte-americano com menor volume inicial. A estratégia é construir marca primeiro, ganhar espaço nas prateleiras e conhecer as preferências dos consumidores antes de escalar para rações secas, que exigem volumes maiores e investimento mais pesado.

Quais fábricas da MBRF Pet estão habilitadas para exportar aos EUA?

Duas unidades receberam habilitação: uma em Bastos, no interior de São Paulo, e outra em Doctor Juan León Mallorquín, no Paraguai, próxima de Foz do Iguaçu. Essas plantas atendem os padrões sanitários e de rastreabilidade exigidos pelas autoridades norte-americanas.

Quanto o mercado brasileiro de pet food deve faturar em 2026?

Segundo projeção da Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação), o segmento de pet food deve faturar R$ 42,96 bilhões em 2026 no Brasil. O país é o terceiro maior mercado global, atrás de Estados Unidos e China.

A MBRF Pet planeja fazer novas aquisições para crescer no exterior?

Não no curto prazo. Depois de encerrar um processo de avaliação para venda da divisão em 2023, a empresa decidiu focar em crescimento orgânico. A estratégia é ganhar mercados pela internacionalização e agregação de valor, sem depender de aquisições.

Como a MBRF Pet se beneficia da produção de carnes do grupo MBRF?

A divisão de pet food usa subprodutos da indústria de carnes como ingredientes — farinha de frango, farinha de suínos e gorduras animais. Essa integração reduz custos de matéria-prima, garante fornecimento estável e adiciona rastreabilidade completa à cadeia produtiva.

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